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Flying Tangerine

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Fotografar de ouvido

Trêza 8 Jul 14

(antigo posto de vigia da margem do Rio Guadiana, Algarve)

 

Gosto do céu, de flores, de pormenores. Gosto de partilhar retalhos gráficos dos dias corridos. Gosto desta frenesim da fotografia instantânea que nos permite partilhar tanto um cenário inesperado em tempo real, como um cenário demorado partilhado dias depois.

Há anos que não utilizo máquina fotográfica e, quando me colocam uma nas mãos, utilizo-a como se fosse um telefone. Não serei por isso grande exemplo de fotógrafa.

Digamos que fotografo de ouvido :-)

Ainda assim algumas pessoas gostam de algumas imagens e estes dias perguntaram-me se não dava umas dicas de como sacar fotos mais interessantes com o telemóvel. Partilho a simplicidade das coisas que tenho em conta. Espero que quem ache que nunca será um fotógrafo, fique pelo menos com vontade de experimentar :-)

Equipamento

Os smartphones actuais já se portam bem na qualidade de imagem que captam. No entanto, acredito que um tema e enquadramentos cuidados podem tolerar alguma falta de nitidez.

Luz

Se os telefones espertos (smartphones) são brutais a captar imagem durante o dia, a coisa muda de figura quando começa a escurecer, já que com pouca luz fica tudo granulado e sem definição. Se a luz for demais, também pode “queimar” a imagem.

Eis o que costumo fazer à volta destas questões:

Evitar o sol directo

Para evitar que o sol incida no telefone, tento posicionar-me na sombra, ou ponho a mão a proteger o telefone. Se conseguir perceber a imagem no ecrã é porque o telefone também está a conseguir (embora às vezes se fotografe “à toa” e a coisa corra bem..)

Tirar partido do contraluz

Quando o sol começa a fugir, já não é preciso evitá-lo :-)

Como com pouca luz a definição desce muito, podemos tirar partido dos contrastes e, no limite, do contraluz. Tudo o que estiver entre o telefone e o sol/luz forte, vai ficar em contraluz.

E se isto é chato quando se quer tirar um retrato, é deveras compensador quando aproveitamos o grafismo do que estiver contra a luz (a preto)

Estava num parque de estacionamento; vi as bicicletas no topo de um carro estacionado; corri a posicionar-me de modo que estas ficassem entre mim e a luz.

 

O contraluz, especialmente às luzes quentes do fim do dia, funciona sempre :-) 

(praia de Melides, Setembro 2013)

 

Outras vezes, podemos escondermos-nos da fonte da luz, e tentar forçar o contraluz:

(escultura na Praça da Beira Mar, Setúbal)


Focar com o toque

Antes de tirar a foto, tocar com o dedo na área da foto que se quer melhor definida. O que o telefone faz é focar e equilibrar a leitura da área que tocou, o que costuma ajudar a melhorar a definição da coisa retratada. (se for um Android, há tendência para a imagem ficar clara demais, a não ser que se ajuste a definição de luz para -2)

Se experimentarmos apontar ao céu, apanhando a fachada de um prédio, podemos tocar na área do céu e ver escurecer a fachada, aumentando o contraste e, consequentemente, o dramatismo da imagem; Se tocarmos na fachada, esta irá ficar mais clara, mas com menos contraste, eventualmente a fotografia fica menos interessante.

Muitas vezes tentamos que tudo o que está na foto fique igualmente nítido. Mas a consequência disso é nada se destacar, e torna-se confuso o que afinal torna uma imagem interessante.

Sugiro fazer um exercício: Tocar no lado mais claro e click; tocar no lado mais escuro e click; tocar no meio e click.

Permite descobrir a própria sensibilidade quando, dias depois se olha para as imagens e naturalmente gostamos mais dumas do que doutras. E aos poucos começamos a usar a técnica que servir melhor a sensibilidade de cada um.

Simular profundidade de campo

A profundidade de campo é uma capacidade do olho humano: olhar e perceber o que está perto e o que está longe. Os telefones, por terem lentes limitadas, não conseguem mostrar essa profundidade de campo.

Então, uma forma fácil de a sugerir, é utilizando a perspectiva de algum elemento como muleta visual. Nesta imagem, a profundidade de campo é sugerida pelas linhas convergentes:

 


Mas nem sempre estas linhas são tão óbvias

Definir enquadramento

Para enquadrar a imagem utilizo bastante a regra dos terços, mas também gosto de inventar, experimentando.

Na regra dos terços imaginamos o ecrã dividido em três, na horizontal e na vertical. Colocam-se pessoas e monumentos nas linhas verticais; Mar e telhados nas horizontais.

Os smarthphones já têm opção de mostrar a grelha (show grid) para nos guiarmos nisto. Em vez de me alongar mais, eis um artigo que descreve a regra dos terços.

Estabilizar o equipamento

Vento, coração a bater forte, respiração e o movimento no geral, são o que provoca o efeito tremido nas fotos.

Para o tentar evitar, podemos encostar os cotovelos ao corpo, para ganhar estabilidade. Às vezes até encher o peito de ar e suster a respiração até ao clique.

Mas se há dias que parecemos um tripé, noutros parecemos uma centrifugadora. Nesses dias podemos procurar um muro, uma mesa, uma saliência na parede, um parapeito, um telhado ou o troco de uma árvore. Com o telefone “pousado” há mais probabilidades de conseguir que não trema.

Resumo

Jogar com a luz, evitar sol de frente, focar com o toque, utilizar muletas visuais para dar profundidade de campo, enquadrar (ou desenquadrar) e apoiar o telefone.

A juntar a isto é experimentar. Descontrair e fotografar sem medo de experimentar. O truque é não querer fotografar como eu ou como ele ou como aqueles. Apenas sentir. 

Quando fotografares algo só porque te provocou alegria ou espanto ou tristeza ou curiosidade, então estarás a fotografar de ouvido :-)

 

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